As tângeras de Pegões contam uma história

As tângeras que encontra na nossa loja, a cada inverno, vêm de um pomar de citrinos em Pegões Velhos e contam uma história. Rui Marques é neto de um dos colonos que receberam, no início dos anos 50 do século passado, uma parte da grande Herdade de Pegões, pertencente a Rovisco Pais - que a doara aos Hospitais Civis de Lisboa. A herdade foi transformada pela Junta de Colonização Interna em colunatos de cerca de 18 hectares, que tinham habitação, uma parte de vinha, outra para culturas de sequeiro, outra para pomares e ainda pinhal. Os colonos, que chegaram de todo país, recebiam também uma vaca, uma vitela, uma égua, uma carroça e alfaias, além do empréstimo de seis mil escudos.


Tal como os avós de Rui, fixaram-se nessa altura em Pegões mais de duzentas famílias. Foram construídas escolas primárias, centros de convívio, centros de apoio à infância, igreja e outras infra-estuturas.




No pomar da família de Rui existem muitas árvores plantadas pelo avô, nessa época. Outras pelo pai e algumas mais jovens, por Rui e pelo irmão. Apesar de terem outras actividades profissionais, os irmãos fazem questão de cuidar do pomar, em modo de produção biológica, e das terras da família.


E mantêm as tângeras, apesar de estas terem perdido bastante procura - o facto de terem pevides e serem menos doces do que as clementinas parece fazer hoje delas as “ovelhas negras” da família dos citrinos. A verdade é que que elas fazem parte da história do pomar. E que há muito quem as aprecie não só por serem raras, mas por fazerem lembrar sabores do passado, talvez até da infância…


Por tudo isto, gostamos tanto de as levar até si!


Para saber mais sobre a história das Colónias Agricolas em Portugal, vale a pena visitar a exposição virtual Paisagens Ideológicas



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